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Falar sobre 'Assuntos Difíceis'

Uma newsletter sobre engenharia de software, gestão de time, formação de time, livros e muitas anotações que faço depois de ler/estudar (o meu ou o seu)... :D


Em nossa vida é necessário encarar de frente assuntos considerados difíceis ou tabu com qualquer pessoa, para isso precisamos ter coragem e maturidade para lidar com naturalidade com qualquer tema - mesmo se ele nos tire da zona de conforto.

Para falar sobre esse assunto, vamos começar pelo porquê.

Por que é comum procrastinar uma conversa quando envolve assunto difícil?

Quando não falamos constantemente sobre um tipo de assunto ele se torna “difícil” por falta de familiaridade e sensação de desconforto. Por exemplo, é comum as pessoas terem dificuldade para falar sobre sexo, dinheiro, relacionamento, homossexualidade, etc.

  • Sexo: geralmente é um tabu e tratado com “sigilo”;
  • Dinheiro: o brasileiro tem um problema estrutural na educação financeira e falar de dinheiro com nossa família geralmente soa “errado”, principalmente quando estamos em uma mesa de jantar;
  • Relacionamento: quando está tudo bem é fácil, mas quando tem algo nos incomodando entendemos que não é tão fácil assim;
  • Homossexualidade: “nossa, falar disso é desnecessário”, mas não é;
  • posso passar horas e horas listando assuntos que a grande maioria das pessoas fogem

Conversas difíceis são… difíceis! Mas podemos deixar elas mais confortáveis

Agora que estamos alinhados sobre o que é um assunto difícil: vamos trazer para nossa vida profissional.

Falar sobre ‘Assuntos Difíceis’

Falar o que as pessoas não estão preparados para escutar

Depois de anos trabalhando em ambientes de startups, percebo que muitos gestores não querem escutar assuntos que gerem desconforto e sim assuntos que massageiem os seus egos.

Minha realidade é diferente da sua e isso esta diretamente relacionado a como chegamos até aqui, dado as experiências que vivi, amizades, ambientes que frequentei etc. O que é obvio para mim, pode não ser para você.

Ao chegar para um amigo (a) de trabalho e falar de um assunto complicado que a pessoa ainda não tem consciência, é gerado um nível alto de estresse e cada pessoa tem uma forma de lidar com informações que os gera desconforto, medo, angústia e ansiedade.

Quando temos a consciência de que cada pessoa vai reagir de uma forma diferente, precisamos ter empatia e estruturar a conversa de uma forma que ela fique menos desconfortável, deixando extremamente claro a mensagem final que queremos passar. E de uma forma compreensível pela outra parte, ou seja, não levar no “freestyle” (sair falando sem antes ter estruturado a conversa) quando estamos falando de “assuntos difíceis”.

Tenho o habito de escrever tudo o que fiz e que irei fazer, invisto mais tempo em planejamento e estruturando uma conversa do que de fato tendo a conversa “difícil”. Não estou falando que é rápida a reunião com assunto desconfortável e sim que o planejamento (estruturação) da reunião leva mais tempo que a própria reunião — sei que isso pode soar estranho para as pessoas que entram em reunião sem se prepararem.

Sabe quando você olha seu calendário de trabalho e tem uma reunião atrás da outra sem ter pelo menos 15 minutos para “respirar”? Pode ser que você não esteja preparado para essa reunião e seria melhor não participar da reunião.

Alguns assuntos se tornam difíceis por não sabermos dizer não, mas isso é assunto para um próximo texto, quem sabe em breve escrevo sobre isso.

Expor o problema e propor a solução

Quantas vezes você expôs um problema da empresa e não propôs uma possível solução? Não precisa ser a solução final e sim uma solução que você acredite que dará certo. Se está inseguro da proposta, pode expor isso para todos e envolver as pessoas para contribuírem na construção da solução — um time vai muito mais longe quando joga junto.

Infelizmente eu já fiz isso, apontei o dedo para o problema sem se quer pensar em como resolver.

Todas as empresas têm diversos problemas a serem solucionados ou pontos que precisam de melhorias, se você acha que existe a empresa perfeita esta enganado (a).

Sei que muitas empresas têm a cultura de fazerem as tomadas de decisões topdown (dos diretores para o time), não dando espaço para o time (você faz parte dele) proporem melhorias.

Será que a empresa que você está é a empresa que você gostaria de estar? Se a resposta for não, você está planejando sua saída dela? Olha aí nós falando sobre um assunto difícil.

Estruturando conversas difíceis com padrão A, B e C

  • A: Fale de casos concretos, dando exemplos do que aconteceu: “Eu vi que você fez isso”, “Eu ouvi aquilo”, “Alguém me disse que tal coisa aconteceu” (cuidado com esse, telefone sem fio existe) e …
  • B: Descreva o impacto que esse fato gerou em você: “Você fez A e eu me senti desrespeitado” ou “Você não entregou o que combinamos e fiquei com a impressão de que você não entendeu a importância do que está fazendo”. É possível mencionar como você se sentiu, mas sem a carga emocional.
  • C: Busque a posição da outra pessoa de forma interrogativa: “Podemos conversar sobre esse assunto?”, “Você pode me explicar o que aconteceu?”, “Você tem algo a dizer a esse respeito?” ou ainda “Escutei isso e gostaria de compartilhar minhas impressões com você, ok?”.

Dessa forma você não mantém o ambiente psicologicamente seguro com espaço aberto para diálogo, não queremos culpar e sim dialogar. Ninguém quer participar de uma conversa quando começa com conclusões.

Como queremos um dialogo, nada mais justo que pedir licença antes de entrar no espaço do outro, é muito mais que sinal de respeito e educação, abrindo espaço para a pessoa expor seu ponto de vista.

Por último aprenda escutar e só depois que a pessoa terminar você fala.

Conseguiu entender meu ponto de vista? Não é fácil e exige muita consciência e pensar antes, durante e depois destas conversas. Mas é questão de prática e ação. Deixe seu comentário sobre o que você pensa sobre esse assunto.

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