Obcecado por resultado
Sou obcecado por resultado. Em tudo que me proponho a fazer. Demorei pra falar isso em voz alta sem sentir que precisava me desculpar.
No negócio, resultado é fazer a coisa acontecer. Crescer, dar lucro, sobreviver. Qual desses depende do momento que a empresa vive, e fingir que não é assim é como os times perdem anos. Repito a mesma frase pro meu time todo ciclo: não quero pessoa que quer pegar card, quero pessoa que entrega resultado. Card movido pra done não é resultado. Receita é. Retenção é.
No esporte, resultado é fazer algo que eu ainda não fiz. Toda temporada vou atrás de uma distância, um tempo, uma prova que não tenho certeza se termino. Essa é a parte que eu gosto. E o equilíbrio entre trabalho e treino faz parte do resultado também. Um PR que me custa o trabalho é uma troca ruim. Uma carreira que come meu treino é pior ainda.
Família é onde a palavra resultado soa errada. Eu discordo. Com família, o resultado é presença. Estar dentro da conversa, mergulhar no assunto que eles trouxeram, me conectar. Vivo intensamente tudo que assumo, e eu que escolhi ter família. Não poderia ser diferente com eles.
Peter Drucker escreveu isso melhor que eu, em 1999, num ensaio chamado Managing Oneself. A ideia é seca: ninguém gere o seu desenvolvimento por você. Nem a empresa, nem o chefe, nem o treinador. Saber o que você assume e onde entrega é tarefa sua, e a conta sempre chega no seu nome. Negócio, esporte, família, os três eu escolhi. Ninguém me colocou neles.
Obsessão por resultado, pra mim, é respeito pela minha própria palavra. Se eu disse que ia fazer, o único fim aceitável é feito. Simples assim.